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A arte imita a vida de todo mundo?

Como pode um país onde mais da metade da população é negra ter a maior parte das narrativas brancas?

E por que isso é uma questão? Além de revelar um preconceito refletido em falta de oportunidades, ainda impacta o tipo de conteúdo criado. Se a arte imita a vida, ela deveria refletir a vida de todos nós. Mas como uma pessoa branca pode pensar em temas ligados à negritude e contar essas histórias sem as ter vivido? Como pode um país onde mais da metade da população é negra ter a maior parte das narrativas brancas? Veja bem: aqui eu não defendo que brancos sejam excluídos da cultura (sempre bom lembrar que não é um discurso de “eles contra nós”). O debate aqui é sobre incluir também a negritude. Um desejo justo, a meu ver. 

A arte imita a vida de todo mundo?
Foto: JP News

Isso porque não toquei em outra questão também muito importante: o financiamento dos trabalhos. Vou citar de novo a pesquisa da Ancine de 2016. Na época, 61,3% dos filmes tiveram recursos de incentivos diretos ou indiretos. Boa parte desse dinheiro vem da própria Ancine, que é um órgão do governo federal. Outro parêntese aqui: o governo tem obrigação mesmo de promover a cultura, e o valor investido é inclusive bem menor do que deveria. Mas vamos focar a questão racial. Em outras palavras, o que esse dado mostra é que produções gerenciadas por pessoas brancas têm sido mais beneficiadas do que as de pessoas negras até quando o dinheiro é público. 

O motivo seria o fato de nós, negros, não entendermos nada de cultura? Óbvio que não! Estamos mostrando é mais uma face do racismo. Não estamos em pé de igualdade de acesso, e é sobre isso que estou falando. Claro que temos avanços e muitas pessoas lutando para mudar essa realidade. Mas ainda não é o suficiente.

Enquanto nós, negros, não formos plenamente incluídos na agenda cultural, uma parcela considerável da população não será representada. No final, perdemos todos nós, uma vez que poderíamos ter uma diversidade maior nas artes e conhecer melhor nossas origens. Essa reflexão tão necessária vai ser realizada no encontro “Enegrecer a Gestão Cultural”, nos dias 10 e 11 de novembro, das 10h às 12h e das 19h às 21h, no YouTube. O evento vai ter 18 participantes e é uma produção da Ponte Agência de Cultura. Eu conversei um pouco com a produtora do evento, Karla Danitza, e o vídeo com o nosso papo pode ser acompanhado aqui.

Da Redação
Por Portal ES Digital



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